Impacto do petróleo no turismo doméstico brasileiro

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Eduardo Martin

Eduardo Martin

02/06/2026

Por Eduardo Martin

Após 3 meses de guerra entre Irã e EUA, o preço do petróleo teve um aumento acumulado até o momento de 81,6%, tendo chegado a 119% em alguns momentos.
A consequência para o turismo é direta. No mesmo período o QAV (Querosene de aviação) subiu 57,4% segundo dados da ANAC. Essa linha representa cerca de 40% no custo da aviação. Ou seja, não existe como ele não ser repassado ao consumidor.


Esse aumento se consolida de duas formas:

  1. Repasse direto para o consumidor, entendendo quanto o mercado consegue absorve-lo.
  2. Controle de oferta, principalmente nas rotas mais sensíveis a preço, onde o mercado não consegue se adaptar aos novos custos e preços.

Quais os sinais que já vemos no mercado?



Fonte: RTADC – ANAC abr/2026

Os meses de março e abril de 2026 apresentam os maiores crescimentos de Tarifa Média em relação aos mesmos meses de 2025, mesmo isolando-se os períodos de feriado, deixando claro o impacto do combustível nos preços.


O crescimento médio nesses dois meses foi de 14,4%


Fonte: FITA – ANAC abr/2026

Oferta e demanda ainda crescem em relação aos mesmos meses de 2025, porém, o mês de abril teve o menor crescimento nas duas variáveis, 2,6% e 1,1% respectivamente.

Adicionalmente, os meses de março e abril de 2026 foram os primeiros no período que o crescimento da demanda foi menor do que o da oferta, reduzindo a taxa de ocupação.

Estudos da Noctua Advisory apontam que uma variação de 1% em preço do aéreo impacta a demanda em até -0,3%. Ou seja, com o aumento de preço de 14,4%, o impacto na demanda deve ser de até -4,8% a médio prazo.

Até aqui as cidades mais impactadas pela variação de preço e oferta foram:


O que devemos esperar dos próximos meses?


Diante de um cenário incerto é desafiador fazer projeções, mas temos alguns pontos claros:
1. Após o fim da guerra, a normalização dos estoques de Petróleo deve demorar cerca de 1 mês.

  1. O preço do QAV é formado ao longo dos dois meses que antecedem a operação e principalmente do mês da operação. Ou seja, por mais que o Petróleo caia, essa efeito será sentido gradativamente na aviação ao longo dos 3 ou 4 meses seguintes.

3. A redução da incerteza fará com que as empresas aéreas voltem a crescer sua oferta nos meses seguintes, retomando os ritmos projetados de oferta. O que gerará um estímulo para tarifas promocionais e reduções graduais nos preços.

Eduardo Martin

Eduardo Martin

Eduardo Martin é Associate Partner da Noctua, líder da divisão de Revenue Management e Advanced Analytics. Em mais de 20 anos de trajetória profissional, especialmente na aviação, foi responsável por uma carteira de receita de R$ 20 bi ao ano, pela implantação de 10+ sistemas de RM, por 2 BIs e pela gestão de uma equipe de mais de 100 analistas e programadores com o viés de automatização de processo e geração de receita incremental.

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