No último artigo do Noctua Insights, nosso sócio Pedro Cypriano trouxe uma reflexão financeira sobre o tema. (Leia o artigo completo)
Junto com as análises financeiras, saber executar é essencial. Renovação é algo complexo e precisa levar em conta as tendências e necessidades da demanda por um ciclo longo (no mínimo cinco anos).
Conjugar design e funcionalidade é crucial para o aumento da satisfação e o crescimento das receitas, que, segundo as análises, pode chegar a 34,4%, considerando-se um investimento de R$ 50 mil por apartamento em dois anos.
Mantendo a premissa de não alterar o plano de investimento, mas sim otimizá-lo para acelerar o retorno, preparei uma lista não exaustiva de dicas essenciais:
1. Fazer benchmarking
Todo hotel possui um set competitivo. Na hora da reforma, é importante ir além. Pesquisar profundamente tendências e práticas dos melhores empreendimentos da mesma categoria, com avaliações significativas de desempenho e NPS, base robusta de seguidores no Instagram, matérias publicadas na imprensa etc. Tanto no Brasil quanto no exterior, especialmente na Europa, onde prevalece a hotelaria independente que dita tendências mundiais de conceito e design.
Assim como estudos de viabilidade orientam investidores na etapa inicial da construção de um hotel, estudos de tendências e benchmarks auxiliam na assertividade da reforma e nos resultados esperados.
2. Espaços híbridos
O retrofit é uma oportunidade de repensar espaços. Espaços híbridos são tendência mundial e precisam ser concebidos para atrair pessoas locais e gerar receitas adicionais.
Começando pelo lobby: hotéis têm adicionado a seus lobbies lojas de conveniência, como empórios, floriculturas, padarias, academias, minimercados e até sex shops. O bar pode se tornar um espaço multiuso e de multitráfego, funcionando durante o dia como coworking e cafeteria, e à noite como bar.
Além disso, terraços podem se transformar em rooftops, e piscinas podem se tornar “pool tops”, com mobiliário adequado para acomodar passantes, oferecendo drinks, eventos sociais e coworking.
Quanto mais híbridos e flexíveis forem os espaços, maior será a receita incremental por metro quadrado.
3. Iluminação adequada
A iluminação inadequada (excessiva ou mal planejada) torna espaços, tanto privados quanto públicos, pouco sedutores e funcionais para serem rentabilizados.
Nossa recomendação é maximizar a passagem de luz natural, quebrando paredes e divisórias, e integrando a iluminação natural com os espaços híbridos.
4. Descartar mobiliário? Pense duas vezes
Muitas vezes, hotéis descartam a mobília por estar desatualizada. O conceito de economia circular avança nas preferências, e o reaproveitamento de móveis (principalmente cadeiras e sofás), utilizando novas estampas coloridas, texturas ou pinturas sensoriais, pode dar vida nova ao ambiente e criar um storytelling que seduz hóspedes e passantes. Além disso, proporciona economias significativas.
5. Tomadas elétricas (muitas!)
Hóspedes carregam, em média, três dispositivos: celular, tablet e laptop. Calcule o número médio de hóspedes por estadia e multiplique por três para determinar o número mínimo de tomadas em áreas críticas, como cabeceiras, estações de trabalho e espaços sociais (lobby, eventos, piscina etc.). Certifique-se de que as tomadas estejam localizadas ao alcance das mãos e dos olhos.
A infraestrutura de internet também deve ser abundante. Com o uso de mapas de calor, é possível determinar as melhores posições para a instalação de antenas, prevendo IPs que consomem banda larga em todas as áreas sociais e híbridas do hotel.
6. Experiência dos funcionários = Experiência dos clientes
No manifesto do hotel www.firstname.com, a arquitetura e a decoração das áreas dos colaboradores são pensadas e executadas com o mesmo cuidado dedicado às áreas dos clientes.
Foi-se o tempo dos refeitórios, áreas de descompressão e descanso monocromáticas, confinadas e sem vida.
Finalmente, dê preferência a empresas de arquitetura e implantação com experiência hoteleira. Elas ajudam a traduzir e tornar operacionalmente viáveis as tendências com muito mais rapidez e assertividade em compras, prazos, desenho de fluxos, reaproveitamento de materiais e uso inteligente dos espaços.
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