Renovação de hotel: leia antes de começar

Hotéis e Resorts, Marketing & Inovação | 0 Comentários

Paulo Salvador

Paulo Salvador

15/04/2025

No último artigo do Noctua Insights, nosso sócio Pedro Cypriano trouxe uma reflexão financeira sobre o tema. (Leia o artigo completo)

Junto com as análises financeiras, saber executar é essencial. Renovação é algo complexo e precisa levar em conta as tendências e necessidades da demanda por um ciclo longo (no mínimo cinco anos).

Conjugar design e funcionalidade é crucial para o aumento da satisfação e o crescimento das receitas, que, segundo as análises, pode chegar a 34,4%, considerando-se um investimento de R$ 50 mil por apartamento em dois anos.

Mantendo a premissa de não alterar o plano de investimento, mas sim otimizá-lo para acelerar o retorno, preparei uma lista não exaustiva de dicas essenciais:

 

1. Fazer benchmarking

Todo hotel possui um set competitivo. Na hora da reforma, é importante ir além. Pesquisar profundamente tendências e práticas dos melhores empreendimentos da mesma categoria, com avaliações significativas de desempenho e NPS, base robusta de seguidores no Instagram, matérias publicadas na imprensa etc. Tanto no Brasil quanto no exterior, especialmente na Europa, onde prevalece a hotelaria independente que dita tendências mundiais de conceito e design.

Assim como estudos de viabilidade orientam investidores na etapa inicial da construção de um hotel, estudos de tendências e benchmarks auxiliam na assertividade da reforma e nos resultados esperados.

 

2. Espaços híbridos

O retrofit é uma oportunidade de repensar espaços. Espaços híbridos são tendência mundial e precisam ser concebidos para atrair pessoas locais e gerar receitas adicionais.

Começando pelo lobby: hotéis têm adicionado a seus lobbies lojas de conveniência, como empórios, floriculturas, padarias, academias, minimercados e até sex shops. O bar pode se tornar um espaço multiuso e de multitráfego, funcionando durante o dia como coworking e cafeteria, e à noite como bar.

Além disso, terraços podem se transformar em rooftops, e piscinas podem se tornar “pool tops”, com mobiliário adequado para acomodar passantes, oferecendo drinks, eventos sociais e coworking.

Quanto mais híbridos e flexíveis forem os espaços, maior será a receita incremental por metro quadrado.

 

3. Iluminação adequada

A iluminação inadequada (excessiva ou mal planejada) torna espaços, tanto privados quanto públicos, pouco sedutores e funcionais para serem rentabilizados.

Nossa recomendação é maximizar a passagem de luz natural, quebrando paredes e divisórias, e integrando a iluminação natural com os espaços híbridos.

 

4. Descartar mobiliário? Pense duas vezes

Muitas vezes, hotéis descartam a mobília por estar desatualizada. O conceito de economia circular avança nas preferências, e o reaproveitamento de móveis (principalmente cadeiras e sofás), utilizando novas estampas coloridas, texturas ou pinturas sensoriais, pode dar vida nova ao ambiente e criar um storytelling que seduz hóspedes e passantes. Além disso, proporciona economias significativas.

 

5. Tomadas elétricas (muitas!)

Hóspedes carregam, em média, três dispositivos: celular, tablet e laptop. Calcule o número médio de hóspedes por estadia e multiplique por três para determinar o número mínimo de tomadas em áreas críticas, como cabeceiras, estações de trabalho e espaços sociais (lobby, eventos, piscina etc.). Certifique-se de que as tomadas estejam localizadas ao alcance das mãos e dos olhos.

A infraestrutura de internet também deve ser abundante. Com o uso de mapas de calor, é possível determinar as melhores posições para a instalação de antenas, prevendo IPs que consomem banda larga em todas as áreas sociais e híbridas do hotel.

 

6. Experiência dos funcionários = Experiência dos clientes

No manifesto do hotel www.firstname.com, a arquitetura e a decoração das áreas dos colaboradores são pensadas e executadas com o mesmo cuidado dedicado às áreas dos clientes.

Foi-se o tempo dos refeitórios, áreas de descompressão e descanso monocromáticas, confinadas e sem vida.

Finalmente, dê preferência a empresas de arquitetura e implantação com experiência hoteleira. Elas ajudam a traduzir e tornar operacionalmente viáveis as tendências com muito mais rapidez e assertividade em compras, prazos, desenho de fluxos, reaproveitamento de materiais e uso inteligente dos espaços.

 

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Paulo Salvador

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Paulo Salvador, Associate Partner da Noctua Advisory, líder da divisão de Marketing & Inovação. Profissional de hotelaria e turismo reconhecido no Brasil e na Europa. Viveu 18 anos na França e Alemanha, tendo participado de vários projetos de inovação, transformação de negócios e M&A em diversos países. Na Accor, como VP de Marketing e Vendas da América Latina, implantou as marcas Ibis, Formule1, Mercure e Sofitel. Como diretor mundial de E-Commerce e Fidelização, foi responsável pela criação do programa All ( Accor Live Limitless). Conselheiro da feira de inovação em turismo Travel Forward da WTM em Londres, São Paulo e Dubai, e COO Global da Omnibees. Atuou no Brasil na implantação da plataforma de distribuição da rede Intercity e foi co-fundador do FOHB (Fórum das Operadoras Hoteleiras do Brasil). Ocupou o cargo de CEO da Modularis Offsite Building (empresa de tecnologia construtiva de hotéis investida da Arcelor Mittal). Graduado em Jornalismo, MBA e Mestrado em Sociologia pela SciencesPo Paris,  Coach Executivo pela TransformancePro na França. Atua há mais de 25 anos como executivo, palestrante e professor de marketing. Atualmente, é professor titular de inovação do Mestrado em Hotelaria do ESSEC Business School Paris IHMI.

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