Começa-se um novo ano e crescem as expectativas sobre as oportunidades e os desafios do turismo no Brasil. Em 2025, hotéis e empresas de entretenimento seguirão em crescimento?
Em setembro de 2024, a Noctua Advisory publicou um artigo sobre as perspectivas para os orçamentos de 2025, que contou com a participação de mais de 500 hotéis e resorts pelo Brasil. O que mudou de lá para cá?
Primeiro, alguns destaques de 2024
Seguimos crescendo até aqui, tanto na hotelaria urbana como nos resorts e nas demais empresas de entretenimento, especialmente em tarifa. Mas diferentemente de 2023, a evolução de demanda perdeu força no país.
“Enquanto a tarifa média cresceu 5% acima da inflação em diversos segmentos em 2024, a demanda tendeu à estabilidade”.
Mas e para 2025, o que esperar?
Entendamos as premissas que ancoram as projeções para o próximo ano:
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Ambiente econômico piora. Expectativas de aumento da inflação (+5%), baixo crescimento do PIB (até 2%) e juros em alta (Selic em 15%).
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Dólar seguirá valorizado. Economistas prevêem o dólar próximo a R$ 6,00, acima dos valores médios de 2024 (R$ 5,50).
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Baixa evolução de oferta de hotéis e resorts. Há menos de 60 hotéis e pouco mais de 10 resorts com abertura prevista até 2025.
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Aumento da oferta de STR, multipropriedades e entretenimento. Apenas em São Paulo, o inventário de aluguel de temporada já representa metade do total de UHs.
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Tarifas aéreas seguirão caras. Em comparação com o início de 2020, valores atuais são quase 20% mais altos, além da inflação.
Em comparação com o artigo de setembro, dois destaques:
- Mais inflação e mais juros. Como reflexo, uma intensificação da tendência de baixa propensão a crescimento de demanda nos mercados urbanos.
- Maior desvalorização do Real. Como consequência, mais estímulos para viagens domésticas no Brasil e a consumo interno de entretenimento.
Então onde estão as oportunidades?
Precisamos depender menos do macroambiente e acelerar os projetos internos para intensificar o potencial de resultados de nossos negócios em 2025.
Na pesquisa Orçamentos Hoteleiros 2025, desenvolvida pela Noctua junto ao Hotelier News, cruzamos os dados de dois grupos de hotéis: (i) Top performers, com aumento superior a 15% em receita; (ii) Low performers, com receita em estabilidade ou em queda. Como conclusão, a diferença de resultados entre os grupos foi mais marcante em 3 variáveis:
- Volume de receitas auxiliares;
- Efetividade em investimentos em marketing;
- Efetividade em revenue management.
Empresas que estão crescendo mais em resultados no país estão com melhores performances nos itens acima, o que sinaliza ao mercado caminhos para romper o baixo crescimento orgânico em razão da economia modesta.
Outro destaque indicado no estudo foi o potencial das reformas. Mais de 50% dos hotéis pesquisados investirão em renovação. Durante o evento Hotel Trends Orçamentos, CEOs dividiram com o público exemplos de empreendimentos que conseguiram aumentos de tarifa de até 30% após reformas.
Quanto a novos negócios, a SELIC em 15% definitivamente não ajudará. O aumento do custo de capital do país inibe, ao menos em curto prazo, o potencial de estruturação de novos empreendimentos. Em contrapartida, o apetite pelas conversões aumentará, especialmente após o fim do PERSE.
Outros destaques que fogem do comportamento médio de mercado:
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Segmentos upscale e de luxo seguem em evidência;
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Apesar do baixo crescimento econômico, demanda reprimida por lazer ainda existe;
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Timeshare seguirá em crescimento no país;
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Vencido o desafio de acesso a capital, o Brasil ainda carece de novos empreendimentos.
Em resumo, as oportunidades estão dentro dos nossos próprios empreendimentos
Quando o “efeito maré” não é tão favorável, precisamos remar mais forte em nossas empresas para continuar crescendo além do orgânico. E sim, a tarifa e outras receitas terão papéis predominantes na valorização patrimonial, o que faz as atividades de marketing e revenue management cada vez mais estratégicas. Lembremos que tarifas negociadas podem chegar a 50% das públicas e esse GAP precisa diminuir.
O lado bom? Sem intensificação de novos negócios, segue a tendência de valorização de mercado da oferta atual. Processo que se estenderá ao menos até 2030.
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